O que faz um RCC
O regulador de corrente constante — RCC no vocabulário técnico brasileiro, CCR na designação internacional — alimenta o circuito série de balizamento mantendo a corrente de saída fixa, tipicamente em 6,6 A, independentemente da carga conectada e do comprimento do cabo.
É o oposto de uma fonte de tensão comum. Enquanto uma fonte convencional mantém a tensão e deixa a corrente variar conforme a carga, o RCC mantém a corrente e ajusta a tensão de saída ao que o circuito exigir. Se o circuito tem cinquenta luminárias, ele entrega a tensão necessária para vencer essa impedância; se tem dez, reduz a tensão. A corrente permanece a mesma.
Essa característica é o que garante que todas as luminárias de uma pista acendam com a mesma intensidade, da cabeceira ao fim.
Degraus de brilho
A intensidade é ajustada variando a corrente em degraus discretos. A prática internacional usa degraus como 6,6 A, 5,2 A, 4,1 A, 3,4 A e 2,8 A, correspondendo a percentuais definidos da intensidade máxima. Sistemas com três degraus atendem operações mais simples; cinco degraus são exigidos em pistas de precisão.
A seleção vem da torre de controle ou do sistema de supervisão do aeródromo, e o regulador precisa executar a mudança de degrau sem transitório que apague momentaneamente o circuito.
Eletromecânico ou microprocessado
As duas topologias resolvem o mesmo problema por caminhos diferentes, e a escolha não é automática.
| Critério | Eletromecânico | Microprocessado |
|---|---|---|
| Regulação | Acionamento eletromecânico | Controle eletrônico chaveado |
| Manutenção | Mecânica, simples em campo | Exige eletrônica e instrumentação |
| Resposta | Mais lenta | Rápida e precisa |
| Supervisão | Limitada | Comunicação e registro de alarmes |
| Indicação | Instalações remotas, equipe reduzida | Aeródromos com supervisão centralizada |
Em aeródromos remotos, sem equipe eletrônica local, o regulador eletromecânico costuma ser a escolha mais sensata: a manutenção é mecânica e pode ser feita por eletricista. Onde há supervisão centralizada e exigência de monitoramento em tempo real, o microprocessado é o caminho.
Medição de corrente eficaz verdadeira
Em reguladores com estágio de potência chaveado, a forma de onda da corrente não é senoidal pura. Medir com instrumento de valor médio calibrado para senoide introduz erro, e erro de medição de corrente significa erro de intensidade luminosa — exatamente a grandeza que o sistema existe para controlar.
Por isso a leitura precisa ser de valor eficaz verdadeiro. É um requisito frequentemente subestimado em especificação.
Proteções obrigatórias
- Circuito aberto — a proteção mais crítica. Um circuito série interrompido faz a tensão de saída disparar enquanto o regulador tenta manter a corrente. A proteção precisa atuar em hardware, não apenas por software.
- Sobrecorrente e curto-circuito
- Falha de isolação — monitoramento da resistência de isolamento do circuito
- Sobretemperatura
- Falta de fase na alimentação
Como dimensionar a potência
A potência do regulador vem da soma das cargas do circuito, não do número de luminárias isoladamente:
- Some a potência aparente de cada luminária, na configuração de maior consumo
- Some as perdas dos transformadores de isolação série
- Some as perdas no cabo primário — significativas em circuitos longos
- Aplique margem para expansão futura, já que ampliação de pista é comum
A tensão de saída necessária é a potência dividida pela corrente nominal. A 6,6 A, um regulador de 10 kW corresponde a algo em torno de 1.500 V de tensão de saída.
Erro frequente: dimensionar pelo consumo atual sem margem. Uma conversão para LED reduz a carga, e um regulador muito superdimensionado pode operar fora da faixa de regulação. Já uma ampliação de pista aumenta a carga além do que o equipamento entrega. Os dois casos exigem troca ou retrofit.
Linha de 2 a 30 kW
A Trinus-tec fabrica reguladores nas potências usuais de projeto, nas versões microprocessada e eletromecânica:
| Potência | Tensão de saída (ref.) | Aplicação típica |
|---|---|---|
| 2 kW | ≈ 300 V | Circuito curto de taxiway ou trecho isolado |
| 4 kW | ≈ 600 V | Taxiway ou pista de pequeno porte |
| 5 kW | ≈ 760 V | Taxiway extenso ou aeródromo regional |
| 7,5 kW | ≈ 1.140 V | Borda de pista em aeródromo regional |
| 10 kW | ≈ 1.510 V | Borda de pista e circuitos de aproximação |
| 15 kW | ≈ 2.270 V | Pista principal com carga elevada |
| 20 kW | ≈ 3.030 V | Eixo de pista e circuitos extensos |
| 30 kW | ≈ 4.550 V | Pista de grande extensão em operação por instrumento |
Toda a linha é certificada sob o Airport Lighting Equipment Certification Program (ALECP) da FAA, da AC 150/5345-53, com certificação emitida pela ABS Group — PID 127056.
Manutenção e retrofit
Reguladores têm vida longa, e é comum encontrar equipamento em operação há décadas, de fabricantes que saíram do mercado ou descontinuaram a linha. Nesses casos, substituir o conjunto raramente é a única saída.
A Trinus-tec avalia reguladores de outras marcas, com diagnóstico de falha, reparo do estágio de potência, recuperação de placas de controle e retrofit do controle para eletrônica atual. Cada atendimento começa por um estudo de caso, que define o que é viável recuperar e em que prazo.